sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ciência e fé na mente das pessoas comuns

Há muito se questiona a postura das pessoas comuns no que diz respeito a sua visão no que tange aos campos da ciência e da fé, sendo que ainda hoje é pouco compreendida a posição de tais pessoas, que se por um lado mantém sua crença na religião, por outro flertam com o conhecimento científico, ainda que sem o mesmo entusiasmo.

No geral, além do efeito social da educação passada pelos pais, as crianças tendem a ser colocadas em contato com os preceitos religiosos e com os preceitos científicos no final da infância, sendo que nessa altura da vida, as pessoas no geral não tem uma consciência formada no que diz respeito ao raciocinio crítico.

Por conta disso, as pessoas tendem a aceitar tais valores sem qualquer reflexão aprofundada, uma vez que tanto a leitura quanto a pesquisa são consideradas como estafantes e de pouco proveito sob o ponto de vista utilitarista que predomina na sociedade moderna.

É mais conveniente para tais pessoas se enfocar no entretenimento superficial e de baixa exigência intelectual, sendo que o foco principal fica desviado para questões cotidianas, sendo priorizados os relacionamentos no correr da adolescência e a busca por uma colocação na engrenagem social no início da vida adulta.

Já nesta altura, os valores cultivados durante a infância e a adolescência se solidificam, sendo que o interesse pela pesquisa científica ou mesmo pela religião em si fica limitada a alguns poucos, que apesar de sua posição representativa, nem de longe representam a postura da maioria das pessoas, que ao fim ficam relegadas a posições "subalternas" em seu trabalho cotidiano.

Entre tais pessoas, muitas vezes predomina a visão da religião como um norteador moral e do religioso como um interprete das escrituras sagradas, que não são sagradas pelo seu conteúdo em si e sim pelo apego das pessoas aos preceitos colocados e destacados pelos propagadores da crença.

Há nestes circulos, em especial nos menos ortodoxos, grande abertura para outras crenças e superstições, que formam o grande "caldo cultural", composto por uma enorme variedade de ritos, mitos, costumes, crenças e superstições que vão se propagando de geração em geração.

Cabe salientar que o homem "de fé", muitas vezes com um conhecimento superior a média das pessoas a sua volta, é tido como um exemplo de virtude e de moral, ainda que muitas vezes seus posicionamentos mais ortodoxos não sejam levados em conta pela maioria das pessoas, que assumem os riscos pelos seus atos fora da linha colocada pelo pregador religioso.

Muitas dessas pessoas até nutrem certa admiração pela ciência, mas sua visão quanto aos avanços científicos são enfocados principalmente no utilitarismo, sendo que o parco interesse e o relativo desconhecimento quanto a ciência em si acabam por se tornar grandes entraves para um maior desenvolvimento científico.

Para piorar ainda mais o quadro, ainda há aqueles que se aproveitam do desconhecimento e da credulidade das pessoas, seja no intuito de explorá-las com a propagação de inverdades pseudocientíficas baseadas no conhecimento científico pregresso, seja em atividades com o intuito de sorrateiramente domesticar a ciência, deixando-a a mercê de interesses de natureza religiosa ou até mesmo ideológica.

Ao fim, por conta de todos estes fatores, acabamos por ter uma maior aceitação da fé e da crença em geral e uma visão fortemente crítica no que diz respeito aos assuntos intrisecos ao campo científico.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os noves fora da cruzada antiteísta

Tenho conhecimento do fato de muitas pessoas abraçarem a causa ateísta não pela pura e simples não-crença em divindades, mas sim pelo repúdio e pela rejeição a religião organizada como um todo, que geralmente é tomada como vilã e inimiga por tais pessoas.

Ainda que entenda muitas das razões por detrás desta postura, é pertinente salientar que tal atitude acaba sendo muitas vezes contraproducente para com o próprio ateísmo, sendo a grande causa da estigmatização do grupo como um todo por conta de tal postura.

Considerando isso, relaciono abaixo as principais atitudes antiteístas que vão de encontro ao necessário esclarecimento, base de uma posição centrada e embasada no campo do ateísmo.

1º - Sátira aos mitos religiosos - Claro que pode ser engraçado você colocar imagens, crenças e mitos religiosos dentro de uma construção satírica, no entanto, tais sátiras podem não ser bem vistas por aquelas pessoas que tomam o dogma religioso por verdade, sendo por isso mesmo uma postura antiteísta contraproducente no importante caminho de esclarecimento quanto a questão da religião em si.

2º - Revanchismo - Ainda que o ateísmo possa ser uma importante mostra de esclarecimento quanto a intangibilidade do mito propagado pela religião, é incabivel fazer a relação do "ateísmo x religião" como uma briga de "bem x mal", até porque isso, a despeito de poder arrebanhar algumas pessoas em prol da causa, acaba por tornar o ateísmo mais vulnerável a ataques dos religiosos e mais estigmatizado entre os que acreditam na religião.

3º - Estigmatização em cima de escândalos - É uma tentação grande relacionar a religião com práticas condenáveis em termos morais, mas neste tipo de abordagem se enfoca uma parte das pessoas envolvidas com a religião como o todo da instituição, o que perfaz na generalização apressada, postura facilmente criticável e constantemente criticada por parte dos teístas.

4º - Estigmatização em cima da exploração religiosa - Apesar de ser de conhecimento público que muitas pessoas fazem da crença religiosa um meio de ganhar a vida ou mesmo de enriquecer, é capciosa a afirmação de que o foco dos pregadores religiosos em geral seja somente no campo financeiro.

5º - Retratação dos crimes cometidos em nome da fé - É fácil apelar a conflitos históricos ou a conflitos contemporâneos relacionados muitas vezes com a questão da crença, no entanto, é cabivel salientar que neste campo, o risco de se fazer a generalização apressada quando se coloca a religião como força motriz única por detrás de tais conflitos.

6º - Critica ao "crente social" - De todos os grupos teístas, o "crente social" é aquele que tem maior possibilidade de ser levado para o campo do ateísmo, no entanto, a abordagem atabalhoada e extremamente crítica quanto a este tipo particular de "crente" pode levá-lo para o campo do fundamentalismo religioso, em defesa dos preceitos defendidos pela religião.

7º - Inabilidade para lidar com as questões religiosas - É sabido que o antiteísmo se baseia na negação principalmente das religiões mais proeminentes na sociedade onde a pessoa vive. Uma pessoa que convive num meio onde o cristianismo é predominante terá dificuldades de argumentar em cima da questão do islamismo ou do budismo por exemplo, o que tende a fazê-la uma negadora de uma fé em específico e não de todas ou mesmo a fazê-la tomar um ataque cego contra todas ás religiões por meio da generalização apressada.

8º - Desconhecimento quanto as engrenagens da fé - Muitas vezes o antiteísta tem um conhecimento muito raso quanto ao funcionamento da religião como um todo, fazendo com que a sua crítica e seu ataque não tenham o embasamento necessário para ser aceito a não ser pelo seu limitado séquito de seguidores.

9º - Incapacidade de lidar com a crença alheia - O antiteísta faz sua posição baseada no ataque a religião organizada e as superstições em geral, muitas vezes carecendo da posição ponderada e centrada que é necessária para trazer o esclarecimento pras pessoas, sendo por isso muitas vezes ignorado e estigmatizado por conta de seu radicalismo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Zeitgeist, a ruindade

Ontem tentei montar um artigo com temática em torno do horrível documentário "Zeitgeist, o filme", mas acabei infelizmente por escorregar nas colocações e cometendo também uma série de imprecisões que prejudicaram em muito o meu texto.

É notável o foco americanocentrista de tal documentário, que tem um viés demagógico bem forte, em especial na terceira parte do material, sendo que a qualidade de tal vídeo é tão sofrível que não consegui ver até o final.

Na maior parte do material pouco notei sobre questões referentes a outras regiões do globo, a não ser nos casos onde os Estados Unidos estiveram diretamente envolvidos, em especial tratando de questões de guerra.

Isso sem considerar que a forma como os desenvolvedores do filme trataram as questões de natureza econômica e política do ponto de vista histórico, onde se tratou das questões com uma perigosa superficialidade e talvez até mesmo com uma certa leviandade.

Claro, tem uma série de adendos e continuações, mas não sei sequer se posso esperar alguma qualidade que seja deste material, uma vez que o primeiro da série apresenta vícios que somente uma pessoa muito alienada não é capaz de notar.

Sublinhe-se que é até uma possibilidade factível de que os incidentes envolvendo o World Trade Center tenham sido uma armação política por parte do então periclitante governo Bush na tentativa de se fortalecer politicamente, mas a falta de um análise aprofundada das questões envolvendo os precedentes a isso comprometem de forma absurdamente trágica os assuntos tratados.

Juro que tentei fazer uma análise séria e desapaixonada deste vídeo, mas ele consegue ser tão ruim, tão falacioso e com tanto apelo a emoção que se torna praticamente impossível uma análise de cabeça fria, sendo que apesar de em certos pontos haver colocações pertinentes, ele está muito longe de explicar satisfatoriamente a incestuosa relação entre os governos e os paladinos que são os cabeças do campo econômico.

Lamento, mas é uma coisa que seria digna de ser tratada "a sério" num site como a Desciclopédia, até porque o vídeo chega ao ponto de ser completamente risível pela sua completa falta de foco.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A despeito da existência de Deus, a lei existe

Juro que me causou certo espanto um texto da Fátima presente no "Ateu, graças a Deus!", em especial considerando que ela tem um conhecimento relativamente bom das questões envolvendo o direito, como demonstra em seu blog SubJudice.

Não creio que o texto tenha a pretensão de ser uma análise a fundo da questão da religião e do pensamento moral das pessoas, sendo que a maior falha está justamente na superficialidade que trata dos assuntos correlacionados no desenvolvimento da posição colocada no artigo.

O ponto mais baixo deste ensaio está em penúltimo parágrafo, onde a autora rotulou com os termos de hipócrita e de vendido aqueles que atribuem a sua postura pretensamente ética a sua crença em Deus e que afirmam falaciosamente que "Sem Deus tudo é possível" e que "Quem não tem Deus no coração é capaz de fazer tudo".

Em que se pese todas as incongruências das religiões e das crenças em geral, chega a ser curioso para mim que uma pessoa cujo conhecimento das leis e do direito seja bem acima da média não tenha usado isso em seu favor na abordagem, usando em vez disso o agressivo apelo do Ad Hominem.

É óbvio que a religião, que faz o seu trabalho se utilizando das expectativas calcadas na ignorância humana, é uma poderosa ferramenta de controle social, mas não é a única e nem a principal das ferramentas a ser utilizada neste intento.

Antes mesmo que as crenças tomassem a forma que tem hoje, havia a imposição do controle social, de início com a utilização da força e depois também no uso das leis e do direito, sendo que tal organização foi muito importante para que pudessemos ter o desenvolvimento de nossa civilização.

Em cima das leis, se estabeleceu a primazia do estado como aplicador da lei, com os seus representantes incumbidos na aplicação da mesma mediante a sua invocação, em favor da sociedade e se contrapondo aos eventuais infratores dos dispositivos legais.

Na medida que você infringe a lei, você está assumindo o risco da punição baseada nela, bem como o risco de sofrer represálias por parte das pessoas que não vejam com bons olhos a sua atitude transgressora.

Ao fim, com base nisso, se torna clara a falácia presente no ideário daqueles que defendem que tudo é permitido caso Deus inexista.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Ciência não é uma construção acabada

Gostaria de poder admitir o contrário e demonstrar que a ciência já conseguiu as respostas para as importantes questões que aflingem a humanidade, mas se eu fizesse tal afirmação, estaria sendo deshonesto para com o difícil trabalho científico.

A pesquisa científica é um caminho cheio de idas e vindas, com percalços muitas vezes inesperados e com surpresas nem sempre agradáveis, sendo que a despeito do muito que já foi descoberto e que é de conhecimento público, ainda há muito a se descobrir e a se pesquisar.

É notável que com algumas posições já razoavelmente bem consolidadas, nós estejamos em uma zona de conforto que não caberia sequer na imaginação de nossos ancentrais, mas não é conveniente que caiamos na ilusão de achar que os enormes avanços científicos nos tempos mais recentes foram suficientes para resolver satisfatoriamente todos os enigmas envolvendo a nossa realidade.

Ainda restam alguns enigmas sob os nossos olhos que ainda não foram respondidos de forma satisfatória, como por exemplo o fato de muitas pessoas continuarem seguindo convictamente em suas crenças baseadas em mitos propagados pela tradição.

Outros, apesar de terem uma resposta relativamente satisfatória, ainda estão abertos a questionamento, como a teoria da Seleção Natural, que pode não corresponder adequadamente ao comportamento seletivo no ambiente natural.

Ademais, isso não quer dizer que por conta da desconstrução dessa teoria de Darwin que a evolução está desacreditada, até pelo simples fato de que há evidências suficientes indicando justamente o avanço lento e inexorável da evolução sobre os seres vivos em geral.

Não custa lembrar que é justamente o conhecimento científico, desenvolvido em várias décadas de pesquisa, que permitiu que tivessemos um grande avanço no entendimento da história natural e mesmo que desenvolvessemos os vários produtos de consumo que usufruimos nos dias de hoje.

Por isso, posso afirmar que a Ciência que temos hoje é uma construção robusta e sólida, mas infelizmente ainda não é uma construção devidamente acabada, sendo que cada contribuição que possamos dar a este campo é bem vinda, seja em prol de nosso mundo, seja em prol da própria humanidade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quem é o hipócrita?

Bluezão, mais um na busca dos 15 minutos de fama

Tenho notado que com a popularização do ateísmo e o surgimento de várias organizações com visão crítica ou mesmo contraposta aos credos religiosos, há um grande número de pessoas que entram no movimento pelo efeito da onda e outras que fazem críticas a postura sectária e antirreligiosa de muitos ateístas.

É natural as críticas, sendo que eu mesmo utilizo deste espaço para fazer críticas embasadas em posições sejam elas teistas ou ateistas, no entanto, é completamente irresponsável fazer críticas com o único interesse de levantar polêmica e assim conseguir uma projeção e uma fama efêmera.

Um destes oportunistas é o que atende pelo codinome de Bluezão, que nos últimos tempos vem colocando o seu foco em cima de uma suposta mercantilização do ateísmo, baseada na massificação de tal consciência entre as pessoas nos dias de hoje.

É notável que ele coloca em sua crítica a suposta hipocrisia de organizações ateístas, tendo entre os seus alvos a ATEA, a organização do 1º Encontro dos Ateus e o Eu, ateu, sendo que a base inicial para tal argumentação foi justamente uma suposta exploração do ateísmo com finalidades mercadológicas.

No desenvolvimento de suas colocações de natureza claramente falaciosa, ele chega a fazer um comparativo das contribuições pedidas pelas organizações ateístas com o dízimo cobrado pelas organizações de natureza religiosa e até mesmo a colocar que a ATEA estaria sendo hipócrita por colocar imagens com conteúdo satírico e ofensivo para com a religião por um lado e reclamando de discriminação contra o ateísmo contra o outro.

Até poderia respeitar tal posição se ela fosse de natureza ideológica, ainda que de natureza radical e sectária, mas ao ver o próprio blog do Bluezão, noto que o mesmo faz suas críticas baseadas em uma postura de advogado-do-diabo, com o objetivo único de levantar polêmica para assim conseguir mais seguidores e mais fama.

Foi chocante para mim notar que a mesma pessoa que critica a "mercantilização do ateísmo" e os pedidos de contribuições para manutenção de tais organizações utiliza a página de seu blog para pedir contribuições para ajudar a pagar o aluguel da casa onde mora.

Não obstante, na mesma página há entre os destaques um link para a página feita com o codinome dele na Desciclopédia, onde ele é alvo de chacotas e chamado, dentre outras coisas, de mentiroso, o que mostra claramente que por detrás de todo aquele verniz existe uma subcelebridade querendo a todo custo aparecer.

É bom lembrar que eu mesmo fui banido recentemente da Desciclopédia por três meses, sendo que o motivo foi justamente o de chamar um certo usuário lá de hipócrita, mesmo tendo sérias razões para ter feito tal declaração.

Lamentável que os ateus em geral tenham de conviver com ataques levianos por parte dessa pessoa, que pelo visto está querendo se promover as custas dos movimentos de natureza ateísta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Superficialidade em xeque

É natural que nem todos os ateus tenham uma base argumentativa bem consolidada para defender a sua posição quanto a questão das crenças, mas me deixou desconsertado um certo texto que vi no blog Questionadores.com sob o título "7 vantagens de ser ateu".

Para minha surpresa, pesquisando nos links de ligação, obtenho a informação de que o texto teria sido pego no blog Assim, como você!, que por sua vez teria pego o texto no extinto "Ato ou Efeito", sendo que não é de todo improvável que tal texto tenha se originado em alguma corrente ou em outro blog que porventura não tenha sido citado aqui.

De qualquer forma, o texto apresenta pretensas vantagens do ateísmo que não são necessariamente reais, em especial se formos considerar as dificuldades inerentes ao mundo de hoje, sendo que por isso mesmo achei por bem retratar de forma crítica uma a uma as colocações deste texto.

Presuponho que as pessoas que colocaram tal texto em seus blogs concordaram inteiramente com a posição expressa no texto, que faz o seu sentido entre a juventude neoateísta, mas que não representa na prática uma vantagem em prol do ateísmo.

Por isso retrato em perguntas com respostas as questões levantadas no texto citado, no intento de esclarecer eventuais incongruências que porventura possam ser exploradas pelos grupos reacionários no sentido de tentar sufocar a expressão ateísta, colocando em xeque todo o trabalho de conscientização feito até os dias de hoje.


1º) O ateismo te torna mais independente?

Em termos. Não acreditar nos mitos propagados pela religião e pelo esoterismo pode te tornar menos vulnerável ao controle social exercido pelas organizações religiosas, em especial nos países com maior ou menor grau de laicidade.
No caso de países governados por teocracias ou que a expressão religiosa tenha forte relevância a nível político, há um grande risco de que sua não-crença na religião oficial do estado acabe por cercear a sua liberdade de expressão ou mesmo culminar em penas cruéis, incluindo-se detenção, tortura e morte.
Cabe lembrar que por isso mesmo, muitos ateus movem uma cruzada contra as crenças em geral, considerando justamente o grande perigo que pode ser o poder político controlado pelas entidades de natureza religiosa.


2º) Com o ateísmo, se passa a temer apenas coisas que possam acontecer na realidade?

Sim. Se deixa de se ter a preocupação com os medos propagados pelas crenças míticas, em especial no que diz respeito ao inferno por exemplo.
Apesar desse fato, cabe salientar que o próprio temor com coisas que podem acontecer na realidade com você pode dar margem a paranoia e a manias de perseguição, o que não é nada saudável em termos de saúde mental.
Por tais questões, é importante saber relevar os riscos impostos pela vida cotidiana e não se deixar guiar pelo medo de que algo ruim possa te acontecer, mas sempre com a devida responsabilidade pelos seus atos como pessoa.


3º) Como ateísta, acho graça nos rituais e mitos religiosos. É normal isso?

Perfeitamente normal, em especial quando você não vê qualquer sentido nos ritos, rituais e mitos propagados pela religião, mas de qualquer forma, cabe certo cuidado ao expressar o seu desdém a isso, em especial pelo fato de que há muitas pessoas que levam a religião a sério.
Cabe lembrar que tais pessoas dificilmente vão levar com bom humor a sua posição simplesmente pelo fato de não conseguirem dissociar os mitos da realidade cotidiana.


4º) Sendo ateu, minha crença se limita a ciência, correto?

Incorreto. Da mesma forma que você desacredita da religião, você tem todo o direito de ver de forma crítica as questões de natureza científica, até pelo fato de que a ciência não se baseia em dogmas e doutrinas e sim em pesquisas, experimentos e comprovações práticas.
Há uma parte das colocações científicas que são questionadas, principalmente envolvendo campos teóricos passíveis de discussão, cabendo a estes casos alguma abertura a eventuais críticas, contanto que elas não venham no intuito apenas de reforçar uma doutrina de natureza religiosa ou esotérica.

5º) Com o ateísmo, passo a acreditar mais nas pessoas?

Não necessariamente. Você passa simplesmente a entender que a mola propulsora do mundo em que vivemos é a própria humanidade, que bem ou mal trabalha duro para conquistar o seu espaço em meio a sociedade contemporânea.
Isso não é motivo para você passar a ter com as pessoas a mesma credulidade que os teístas tem com o mito de suas crenças, até porque isso é ingênuo e pouco compatível com a postura racional e humanista adotada pelos ateus em geral.


6º) Sendo ateu, eu passo a agir mais pela vontade que pela obrigação?

Na verdade, isto é um avanço na direção a vida adulta, seja no caso de ateus, seja no caso dos próprios teístas, que muitas vezes usam do relativismo para ter uma liberdade maior no cotidiano.
De qualquer forma, é um ganho enorme em termos de consciência saber que você não vai ser condenado ao inferno por ter cometido algo que a doutrina religiosa coloca como pecado.
As responsabilidades e as obrigações, em especial no sentido de se sustentar e de servir de apoio a seus entes mais próximos continuam existindo, independentemente de você ser ateu ou não.

7º) Como ateu, eu me torno uma pessoa mais tolerante?

Não necessariamente. É fortemente notável a intolerância por parte de grupos religiosos, mas pode haver também certa intolerância em grupos ateus também, ainda que esta possa não ser tão exacerbada quanto a dos teístas.
Para se seguir ao caminho de uma tolerância tranquila e sem traumas, é importante compreender e entender o outro lado da questão, para tomar sua posição da forma mais ponderada e centrada possível na sua dura e difícil relação com o mundo.